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Comunicação Não Violenta (CNV): o que é e por que líderes podem se beneficiar ao adotá-la

  • há 9 horas
  • 4 min de leitura
Ilustração em estilo flat de quatro pessoas colaborando ao redor de um notebook, com balões de fala coloridos acima representando a comunicação e uma lâmpada simbolizando ideias e criatividade.

Quando Satya Nadella assumiu a CEO da Microsoft, uma das primeiras coisas que fez foi dar a todos os executivos sêniores um livro de leitura obrigatória. O livro era Comunicação Não Violenta, de Marshall Rosenberg. Era um livro sobre empatia e sobre como ela transforma a forma como as pessoas se relacionam.


Isso diz muito sobre o que a CNV tem a oferecer para quem lidera. A Comunicação Não Violenta é uma prática que ajuda líderes a se comunicar a partir de observações, sentimentos, necessidades e pedidos. Não é uma técnica de persuasão nem uma forma de "vencer" conversas difíceis. E isso muda muito o que acontece dentro de equipes.


Pois isso, vamos falar de Comunicação Não Violenta (CNV): o que é e por que líderes podem se beneficiar ao adotá-la


Comunicação Não Violenta (CNV): o que é e por que líderes podem se beneficiar ao adotá-la


A Comunicação Não Violenta é um processo desenvolvido pelo psicólogo americano Marshall Rosenberg a partir dos anos 1960. É uma prática que propõe mudar a forma como nos expressamos e escutamos, de uma cultura baseada em julgamentos e dominação para uma cultura baseada em cooperação e cuidado genuíno. A CNV se organiza em quatro componentes e vou explicá-los abaixo com exemplos de liderança para cada um:


Observação: descrever o que aconteceu sem avaliar ou julgar. Em vez de "sua equipe está desmotivada", o líder observa: "nas últimas três reuniões, percebi que ninguém trouxe sugestões novas".


Sentimentos: identificar e expressar as emoções que aquela situação gerou. "Isso me preocupa" ou "fico frustrado quando isso acontece" sem transferir a responsabilidade para o outro. Para quem tem dificuldade de nomear o que sente, o exercício de auto-empatia da CNV é um bom ponto de partida.


Necessidades: reconhecer quais valores ou necessidades estão por trás desses sentimentos. A frustração, nesse exemplo, pode vir de uma necessidade de colaboração, de engajamento ou de confiança no time.


Pedido: fazer um pedido concreto, possível e que deixe o outro livre para dizer não. "Você consegue me contar o que está acontecendo com o time antes da próxima reunião?" é um pedido. "Sua equipe precisa se engajar mais, desse jeito não dá!" soa mais como uma exigência e não apoia a pessoa no atendimento das necessidades que estão em jogo. Veja como esse processo aparece em situações reais no artigo com 10 exemplos de CNV no dia a dia.


Por que líderes podem se beneficiar ao adotar a Comunicação Não Violenta (CNV)


Entendido o que é a CNV, fica mais fácil ver por que ela é especialmente relevante para quem lidera. Liderança é, em grande parte, comunicação. Cada conversa, feedback ou conflito que um líder conduz tem impacto direto no ambiente e nos resultados da equipe.


1. Feedbacks que são entendidos de verdade


Quando um líder diz "você é desorganizado", o que a outra pessoa ouve é um ataque à identidade. A tendência é defender, não refletir. A CNV propõe um caminho diferente: descrever o comportamento observado, compartilhar os sentimentos e necessidades que ele gerou, e fazer um pedido claro.


Dados compilados de pesquisas da Gallup, PwC e SHRM mostram que 96% dos funcionários acreditam que receber feedback regularmente os ajuda a melhorar, mas quase metade diz que não recebe feedback na frequência que gostaria. A forma como o feedback é dado é um dos principais fatores para que ele seja realmente recebido e o Feedbacks Eficazes trabalha exatamente essa habilidade.


2. Mediação de conflitos sem tomar partido


Conflito é o sintoma de um problema maior. O problema costuma ser que as pessoas envolvidas estão com necessidades não atendidas e não sabem como falar sobre isso sem atacar ou se defender. Quando um líder entra num conflito sem ferramentas para mediar, o resultado costuma ser dois: ou ele toma partido, ou ele minimiza. Os dois tendem a piorar a situação.


A CNV oferece uma terceira via: em vez de perguntar "quem está certo?", o líder passa a perguntar o que cada pessoa observou, quais sentimentos foram gerados, quais necessidades estão em jogo e o que pode ser pedido daqui para frente. Para líderes que enfrentam esse desafio com frequência, o artigo sobre como lidar com conversas difíceis aprofunda esse caminho.


3. Construção de segurança psicológica


A CNV cria um ambiente onde as pessoas se sentem seguras para dizer o que pensam e sentem sem medo de retaliação. Um estudo publicado pelo MIT Sloan Management Review, conduzido em parceria com Amy Edmondson, mostra que a maioria das organizações reconhece a segurança psicológica como essencial para inovação e colaboração, mas poucas conseguem converter esse entendimento em resultados concretos.


A CNV é justamente um dos caminhos mais práticos para construir isso, por meio de conversa a conversa, no jeito como o líder escuta, responde e lida com o que é difícil de ouvir.


4. Controle da reatividade


Quando um líder reage de forma impulsiva, o efeito não fica naquela conversa. Ele se propaga. As pessoas aprendem que é arriscado discordar, que trazer más notícias tem custo, que o ambiente não é seguro para ser honesto.


A CNV começa de dentro para fora: antes de falar, identificar o que está sentindo e precisando. Essa pausa tende a mudar completamente a qualidade da resposta. Para quem reconhece esse padrão em si mesmo, o ebook Conversas Reativas traz um guia prático para lidar com esse momento.


5. Ampliação do repertório de liderança


A CNV não substitui outros estilos de liderança, ela amplia o repertório de quem lidera. Há situações em que uma postura mais diretiva é necessária e adequada. Mas há uma diferença entre ser diretivo por escolha e ser reativo por hábito.


Líderes que praticam CNV tendem a conseguir ser firmes sem ser agressivos, diretos sem ser dismissivos, empáticos sem abrir mão de clareza. Líderes que fazem boas perguntas criam diálogos muito mais ricos. É esse tipo de desenvolvimento que trabalhamos no Liderança pelo Diálogo.


Por onde começar?


A Comunicação Não Violenta não transforma uma liderança do dia para a noite. Mas tende a mudar, aos poucos, a qualidade das conversas. E conversas melhores constroem equipes melhores.


Se você quer dar um primeiro passo, o Guia Prático para Conversas Difíceis no Trabalho é um bom começo: ele foi feito para aquelas conversas que a gente tende a adiar e que, quando finalmente acontecem, definem muito sobre o tipo de líder que a gente é.

 
 

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