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Como desenvolver comunicação assertiva sem virar "a difícil" da equipe

  • há 20 horas
  • 5 min de leitura

Ilustração de duas pessoas conversando de forma tranquila em uma mesa, com tablet e elementos que representam diálogo, escuta e comunicação assertiva.

Muita gente confunde assertividade com agressividade, acha que ser assertivo é falar duro, não ceder, impor o próprio ponto de vista. Mas assertividade é outra coisa: é a capacidade de se expressar com clareza e honestidade, defendendo o que é importante pra você sem violar o espaço do outro.


No ambiente de trabalho, a falta de assertividade custa caro. A evitação de conversas difíceis, o feedback que nunca é dado, o "sim" que na verdade é "não": tudo isso gera desconfiança, fofoca e uma série de problemas que poderiam ter sido resolvidos com uma conversa direta. E o mais importante: assertividade não é um traço de personalidade, é uma habilidade.


Este guia apresenta um passo a passo sobre como desenvolver comunicação assertiva sem virar "a difícil" da equipe, com base nos princípios da Comunicação Não Violenta.


Como desenvolver comunicação assertiva sem virar "a difícil" da equipe


Antes de começar: o que assertividade não é. Assertividade não é sobre falar com voz firme ou não demonstrar emoção. Não é sobre ter sempre uma resposta pronta, nem sobre "vencer" uma discussão.


É sobre coragem, o compromisso de dizer o que precisa ser dito, de forma que o outro consiga ouvir. E coragem, aqui, tem uma definição prática: abraçar a vulnerabilidade em vez de fugir dela. Colocar para fora o que está vivo para você, mesmo sem garantia de como vai ser recebido.


Passo 1: Adote uma postura de aprendizado, não de entrega de mensagem


A maioria das conversas difíceis fracassa antes mesmo de começar porque uma das partes, ou as duas, chega com o objetivo de provar que está certa.


Quando o objetivo é provar um ponto, a sua escuta e a escuta da outra pessoa ficam fragilizadas e a probabilidade maior é de que as duas partes entrem no "modo defesa".


A postura de aprendizado é diferente: você entra na conversa genuinamente aberto a descobrir algo que não sabia. Isso não significa abrir mão do que é importante pra você, significa reconhecer que a outra pessoa também tem uma perspectiva válida e que entendê-la tende a gerar um resultado muito melhor do que simplesmente empurrar o seu ponto.


Na prática, isso pode começar com uma pergunta interna antes da conversa: "Será que há informações que essa pessoa tem e eu não tenho?"

Se a resposta honesta for "provavelmente sim", você já está num lugar melhor para começar.


Passo 2: Observe sem julgar


Um dos componentes principais da Comunicação Não Violenta é a observação, que é onde boa parte das conversas difíceis descarrila antes de sair do lugar.

A gente raramente descreve o que aconteceu. A gente descreve o que achou que aconteceu e essa diferença, que parece pequena, faz muita diferença na hora de conversar.muda tudo.


"Você foi grosseiro na reunião" é uma avaliação. "Você interrompeu minha fala três vezes durante a reunião" é uma observação. A primeira tende a gerar defesa imediata. A segunda abre espaço para conversa.


Algumas coisas que ajudam a ficar no campo da observação:

Evitar rótulos e generalizações como "sempre" e "nunca". Focar no comportamento concreto, não no caráter. Descrever o que você viu, ouviu ou percebeu, não o que concluiu a partir disso.


Passo 3: Assuma a responsabilidade pelos seus sentimentos e necessidades


Assertividade implica expressar o que você sente, mas de um jeito que não coloque no outro a responsabilidade pelo que você está sentindo.


"Você me deixou frustrado" é uma acusação disfarçada de sentimento. "Eu fiquei frustrado quando isso aconteceu porque preciso de previsibilidade" é uma expressão de sentimento conectada a uma necessidade e faz uma diferença enorme na forma como é recebida.


Na CNV, o que os outros dizem ou fazem pode ser o estímulo dos nossos sentimentos, mas não é a causa. A causa são as nossas próprias necessidades e valores. Quando expressamos isso com clareza, a conversa muda de tom: em vez de uma acusação que o outro precisa rebater, você está compartilhando algo sobre o seu mundo interno.


Para quem tem dificuldade de identificar o que está sentindo em tempo real, o exercício de auto-empatia da CNV pode ajudar bastante como prática antes das conversas difíceis.


Passo 4: Faça pedidos, não exigências


O quarto componente da CNV é o pedido e é onde a assertividade se materializa de forma mais concreta.


Um pedido tem três características: é específico, é possível de ser feito agora, e deixa o outro livre para dizer não. Quando não deixamos essa liberdade, o que estamos fazendo é uma exigência, mesmo que a voz seja calma e o tom seja gentil.


Na prática, um pedido assertivo precisa estar em linguagem de ação positiva, diz o que você quer que aconteça, não o que quer que pare. "Você consegue me enviar o relatório até quinta às 17h?" é um pedido com altas chance da outra pessoa entender e, possivelmente, atender. "Você precisa ser mais organizado" não tanto...


Para aprofundar como estruturar pedidos claros no contexto de feedback, o Feedbacks Eficazes traz um guia passo a passo.


Passo 5: Estabeleça limites e não escolha o silêncio


Assertividade está diretamente ligada à capacidade de estabelecer limites. E limite não é punição, é clareza sobre o que é aceitável e o que não é aceitável para você..


O silêncio diante de um comportamento inadequado é apenas evitação. E evitação, no longo prazo, gera ressentimento, um dos sinais mais comuns de que limites não estão sendo comunicados.


No contexto do trabalho, isso aparece de formas variadas: interrupções constantes em reuniões, tom elevado em conversas difíceis, expectativas que nunca são ditas mas sempre cobradas. Nomear esses comportamentos com cuidado e sem julgamento, como: "Percebo que a conversa está ficando intensa, e preferia que a gente conversasse sem interrupções" tende a ser muito mais eficaz do que ignorar ou reagir no impulso.


E quando a conversa chegar num ponto em que ninguém está ouvindo de verdade, pedir um intervalo é inteligência emocional. Dez minutos para respirar costumam salvar uma conversa que estava prestes a virar conflito. O ebook Conversas Reativas aprofunda como lidar com esses momentos de alta tensão.


Passo 6: Escute para aprender, não para responder


Assertividade não termina quando você termina de falar. A outra metade da conversa, que é escutar de verdade, é tão importante quanto o que você disse.

O obstáculo mais comum para o sucesso nas conversas é exatamente esse: a outra pessoa não se sente ouvida. E uma pessoa que não se sente ouvida não consegue receber nada, nem um argumento bom, nem um pedido razoável, nem um feedback construtivo.


Escutar com atenção e empatia significa resistir ao impulso de formular a resposta enquanto o outro ainda fala. Significa usar perguntas abertas, "Pode me contar mais sobre isso?", em vez de afirmações disfarçadas de perguntas. E significa usar a paráfrase para confirmar o entendimento: repetir com suas próprias palavras o que você ouviu, incluindo o que a pessoa parece estar sentindo, não só o que disse.


Quando a conversa tomar um rumo destrutivo, com acusações, culpabilização, generalizações, você pode reformular: traduzir a crítica do outro em termos de sentimentos e necessidades, encaminhando a interação de volta para o diálogo. Para aprofundar essa habilidade, o artigo sobre como lidar com conversas difíceis traz exemplos práticos de como fazer isso em tempo real.


Assertividade é uma prática, não um destino


Desenvolver a comunicação assertiva no trabalho não é um processo linear e não existe um ponto de chegada onde você "domina" a habilidade de vez. É uma prática que se constrói conversa a conversa, especialmente nas mais difíceis.

O que tende a acontecer com o tempo é que os passos vão se incorporando ao jeito de pensar, e você passa a se expressar com mais clareza e honestidade sem precisar se lembrar de nenhuma fórmula.


Para quem quer desenvolver isso de forma estruturada, o Liderança pelo Diálogo é onde a gente trabalha exatamente isso: como falar com empatia e firmeza nas situações reais do dia a dia, nos feedbacks, nas reuniões, nos conflitos e nas conversas que a gente tende a adiar. E quando a próxima conversa difícil chegar, o Guia Prático para Conversas Difíceis no Trabalho é um bom apoio para o momento em que a teoria precisa virar ação.

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