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Liderança com Comunicação Não Violenta: torne-se um líder mais empático e assertivo

  • há 1 dia
  • 5 min de leitura
Grupo diverso de profissionais reunidos em uma mesa de escritório, conversando, com cidade ao fundo e gráfico ao lado.

Existe um equívoco comum sobre liderança empática: a de que ser empático significa ser bonzinho, ceder sempre, evitar conflito. E existe outro equívoco semelhante sobre assertividade: a de que ser assertivo significa ser duro, direto ao ponto, pouco sensível ao outro.


Na verdade, as duas habilidades não são opostas, são complementares e. E a Comunicação Não Violenta é uma das práticas que mais ajuda líderes a desenvolver as duas ao mesmo tempo: a empatia para entender o que está acontecendo com as pessoas, e a assertividade para dizer o que precisa ser dito com clareza e respeito.


Uma pesquisa da EY com mais de 1.000 trabalhadores mostrou que a empatia mútua entre líderes e equipes tende a aumentar eficiência (88%), criatividade (87%) e satisfação no trabalho (87%), mas o mesmo estudo aponta que mais da metade dos funcionários acredita que os esforços empáticos das empresas são pouco genuínos.


Por isso, escrevi sobre Liderança com Comunicação Não Violenta: torne-se um líder mais empático e assertivo e separei 6 formas de desenvolver empatia e assertividade juntas com a Comunicação Não Violenta, com exemplos práticos do dia a dia da liderança.


Liderança com Comunicação Não Violenta: torne-se um líder mais empático e assertivo


1. Entenda que empatia sem assertividade não é liderança


Empatia é a capacidade de abrir espaço para entender o que a outra pessoa está sentindo e precisando sem necessariamente concordar ou ceder. O erro mais comum de líderes que se identificam como empáticos é confundir empatia com concordância: evitar conversas difíceis para não magoar, deixar de dar feedbacks importantes para preservar o relacionamento, ceder em decisões que prejudicam o time para não gerar conflito.


Isso está mais próximo de evitação do que de empatia. E, a longo prazo, tende a custar caro: tanto para o líder, que acumula tensão e perde clareza, quanto para a equipe, que fica sem direção e sem feedback real. A CNV propõe algo diferente: escutar de verdade o que o outro está sentindo e precisando e, a partir disso, dizer o que você também sente e precisa, com clareza e respeito. Empatia e assertividade, juntas, na mesma fala. O artigo sobre comunicação assertiva aprofunda bem essa distinção.


2. Escute para entender, não para responder


A maioria dos líderes escuta para responder, enquanto o outro fala, já está formulando o que vai dizer. A CNV propõe uma escuta diferente: tentar captar o que está por baixo das palavras. O que a pessoa observou? O que está sentindo? O que está precisando? Qual pedido implícito existe naquela fala?


Esse movimento é um dos gestos mais empáticos que um líder pode fazer. E é também um dos mais assertivos: porque quando você entende de verdade o que o outro precisa, você consegue responder com muito mais precisão. Para desenvolver essa habilidade, saber fazer as perguntas certas é um bom ponto de partida.


Na prática: Na próxima vez que alguém do time trouxer um problema, experimente fazer uma pergunta antes de oferecer uma solução ou dar uma opinião: "o que está sendo mais difícil pra você nisso?" Essa pausa tende a mudar completamente a qualidade da conversa.


3. Separe observação de julgamento antes de falar


Um dos maiores bloqueios para a assertividade empática é a forma como a gente descreve o que aconteceu. Quando um líder diz "você foi desatento na reunião", está fazendo uma avaliação, e avaliações tendem a gerar defesa. A CNV propõe que antes de falar, o líder descreva o que observou de forma concreta, sem julgamento.


Em vez de "você foi desatento", algo como: "percebi que você estava no celular durante boa parte da nossa reunião, isso me preocupa porque sua perspectiva é importante para as decisões que tomamos lá." A segunda versão diz a mesma coisa, mas de uma forma que o outro consegue ouvir sem precisar se defender primeiro.


Na prática: Antes de uma conversa difícil, escreva o que você quer dizer e pergunte a si mesmo: "isso é um fato ou uma interpretação?" Se for interpretação, reescreva em termos concretos e observáveis.


4. Nomeie o que você sente sem transferir a responsabilidade


Um dos movimentos mais assertivos (e mais difíceis) da CNV é falar sobre os próprios sentimentos sem atribuir ao outro a causa deles. "Você me deixou frustrado" coloca a responsabilidade no outro. "Eu fiquei frustrado quando isso aconteceu" é uma expressão de sentimento que parte de você.


Essa distinção importa porque a primeira versão tende a gerar defesa, porque o que o outro sente está sendo acusado. A segunda abre espaço para conversa porque parte de uma experiência interna, não de uma acusação. Para líderes que têm dificuldade de identificar o que estão sentindo em tempo real, o exercício de auto-empatia da CNV é um bom treino.


Na prática: Em conversas difíceis, experimente começar suas falas com "eu" em vez de "você". Como uma forma de falar a partir da sua experiência, não do comportamento do outro.


5. Faça pedidos concretos, não exigências disfarçadas


Assertividade, na CNV, é sobre pedir com clareza. Um pedido tem três características: é específico, é possível de ser feito agora, e deixa o outro livre para dizer não. Quando não deixamos essa liberdade, o que estamos fazendo é uma exigência, mesmo que a voz seja calma.


"Preciso que você seja mais proativo" é uma exigência vaga. "Você consegue me mandar um resumo das principais decisões pendentes do seu projeto até sexta?" é um pedido. Pedidos claros tendem a gerar muito menos ruído, retrabalho e frustração do que expectativas implícitas. Para aprofundar essa habilidade no contexto de devolutivas, o Feedbacks Eficazes trabalha exatamente essa estrutura.


Na prática: Ao final de cada conversa importante, verifique se o que foi combinado é concreto: quem faz o quê, até quando, de qual forma. Não saia da conversa com intenções, saia com pedidos.


6. Mantenha a postura mesmo quando a conversa esquenta


O maior teste da liderança empática e assertiva é nos momentos em que algo te ativa: quando alguém discorda de forma agressiva, quando uma decisão sua é questionada publicamente, quando uma conversa toma um rumo que você não esperava.


Nesses momentos, a tendência é reagir ou recuar (empatia sem assertividade) ou endurecer (assertividade sem empatia). A CNV propõe uma terceira via: pausar, identificar o que está sentindo e precisando, e responder a partir daí, não da reação. Pesquisa do O.C. Tanner Institute aponta que a empatia prática, aquela que combina escuta genuína com ação concreta, é o que diferencia líderes que constroem ambientes de pertencimento dos que apenas declaram boas intenções. Para quem reconhece o padrão de reatividade em si mesmo, o ebook Conversas Reativas é um bom apoio para lidar com esses momentos.


Por onde continuar


Desenvolver empatia e assertividade juntas não é um processo linear. É uma prática que se constrói nas conversas do dia a dia, nos feedbacks, nas reuniões, nos conflitos, nas conversas que a gente tende a adiar.


Para líderes que querem ir além do básico, o Liderança pelo Diálogo é onde a gente tira a comunicação da teoria e coloca para funcionar nas situações reais: como ser firme sem ser agressivo, como escutar sem perder clareza, como conduzir conversas difíceis sem precisar escolher entre empatia e assertividade.

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