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Dificuldade em Dar Feedback? 5 Passos para Torná-lo Mais Fácil e Construtivo

  • há 2 dias
  • 4 min de leitura
Ilustração de duas pessoas conversando em uma mesa, com balões de diálogo, representando troca de feedback.

Dar feedback é uma das habilidades mais importantes (e mais evitadas) no ambiente de trabalho. A dificuldade, na maioria dos casos, envolve falta de coragem, porque feedback envolve vulnerabilidade, incerteza e exposição emocional. E quando um líder adia essa conversa sob a desculpa de "não querer magoar" acaba sendo, ironicamente, menos cuidadoso do que imagina. Isso porque a ausência de feedback tende a gerar exatamente o que temia evitar: falta de clareza, desconfiança e comportamentos problemáticos que só crescem no silêncio.


A boa notícia é que dar feedback bem é uma habilidade, e habilidades se desenvolvem. Estudando e praticando Comunicação Não Violenta (CNV), aprendi estruturas e cuidados que transformam o feedback de um momento temido em uma conversa construtiva. Por isso, preparei o artigo Dificuldade em Dar Feedback? 5 Passos para Torná-lo Mais Fácil e Construtivo, com exemplos de como aplicar cada um.


Dificuldade em Dar Feedback? 5 Passos para Torná-lo Mais Fácil e Construtivo


1. Prepare-se interiormente antes de falar


O estado mental com que você entra numa conversa de feedback define muito do que acontece dentro dela. Se você chega com a intenção de "provar que está certo" ou de "entregar uma mensagem", a tendência é que a conversa vire um monólogo e a outra pessoa saia na defensiva, sem realmente ouvir.


A CNV propõe uma postura diferente: a de quem chega para aprender, não para julgar. Antes de iniciar, pergunte-se: "Será que existem informações que essa pessoa tem e eu não tenho?" Estar genuinamente aberto a essa possibilidade muda completamente o tom da conversa. Além disso, vale verificar se você está num estado emocional equilibrado. Uma conversa iniciada no pico da irritação tende a sair como acusação, não como feedback. Por isso, é importante entender como iniciar conversas difíceis de forma mais segura e respeitosa.


Desenvolvi um Guia Prático para preparação de conversas difíceis com um método passo a passo que pode te apoiar nesse processo.


2. Foque no comportamento, não no caráter


Um dos erros mais comuns em feedbacks é avaliar a pessoa em vez de descrever o comportamento. Quando você diz "você é desorganizado" ou "você é irresponsável", o que a outra pessoa ouve é um ataque à identidade e a reação natural é se defender, não refletir.


A partir da CNV, podemos começar o feedback pela observação: o que você viu, ouviu ou percebeu, de forma concreta e específica, sem julgamentos. Em vez de "você sempre atrasa as entregas", algo como: "nas últimas três semanas, os relatórios chegaram depois do prazo combinado." Isso é uma observação.

Uma forma prática de estruturar isso é usar a fórmula CIP: descreva o comportamento (C de comportamento), diga o impacto que ele gerou (I de impacto), e indique o que você prefere que aconteça (P de pedido). Veja como esse padrão aparece em situações reais no artigo com 10 frases para dar feedback construtivo.


3. Assuma sua parte e conecte sentimentos a necessidades


Muitas conversas de feedback se tornam batalhas sobre quem é o culpado e o foco na culpa só gera negação. A CNV propõe olhar para a contribuição de cada parte na situação, incluindo a sua.


Uma das contribuições mais comuns de líderes em situações problemáticas é exatamente ter evitado abordar o tema antes. Se você chegou nessa conversa depois de meses de silêncio, isso também faz parte do problema. Reconhecer isso tende a baixar a defensividade da outra pessoa.


Além disso, ao expressar o que sentiu em relação à situação, a CNV propõe que você conecte esse sentimento à sua necessidade sem atribuir ao outro a responsabilidade pelo que sentiu. Em vez de "você me deixou frustrado", algo como: "eu fiquei frustrado porque preciso de previsibilidade para planejar bem." Essa distinção é importante: a primeira frase acusa, a segunda informa. Para quem tem dificuldade de identificar e nomear o que sente, o exercício de auto-empatia da CNV pode ajudar bastante antes da conversa.


4. Faça um pedido claro, não uma exigência disfarçada


Feedback sem direção tende a deixar a pessoa desmoralizada sem saber o que fazer diferente. Por isso, o feedback construtivo precisa incluir um pedido claro: o que você gostaria que acontecesse a partir de agora.


Na CNV, um bom pedido tem três características: (1) é específico, (2) é possível de ser feito agora, e (3) deixa o outro livre para dizer não ou propor uma alternativa. "Seja mais proativo" não é um pedido: é uma expectativa vaga. "Você consegue me mandar um resumo das decisões pendentes do seu projeto até sexta-feira?" é um pedido mais concreto e específico.


Pedidos claros geram menos ruído, menos retrabalho e menos frustração do que expectativas implícitas. O Feedbacks Eficazes aprofunda exatamente como estruturar essa parte da conversa com segurança e assertividade.


5. Escute com empatia e confirme o que foi entendido


O feedback não termina quando você termina de falar. A outra parte da conversa (ou seja,, ouvir a resposta da outra pessoa), é tão importante quanto o que você disse. E a razão pela qual muitas pessoas não conseguem receber feedback bem é exatamente porque não se sentiram ouvidas durante o processo.


Depois de dar o feedback, abra espaço: pergunte o que a pessoa está achando, o que está sentindo, se há algo que ela quer compartilhar. E quando ela falar, use a paráfrase:, repita com suas próprias palavras o que ouviu, para confirmar que entendeu e mostrar que está presente. Frases como "deixa eu ver se entendi, você está dizendo que..." funcionam muito bem aqui.


Se a conversa esquentar ou a pessoa ficar muito ativada emocionalmente, não tente resolver tudo de uma vez. Você pode dizer: "percebo que isso está gerando sentimentos intensos, podemos retomar daqui a pouco quando ambos estivermos mais tranquilos?" Pedir um intervalo é uma atitude que mostra inteligência emocional. Para saber como lidar com conversas que viram reativas, temos um artigo com oito passos para esse momento.


O feedback como prática, não como evento


A dificuldade em dar feedback tende a diminuir quando ele deixa de ser um evento raro e passa a ser uma prática frequente. Conversas pequenas e regulares são muito mais fáceis (e mais eficazes) do que avaliações anuais carregadas de tensão acumulada.


Para quem quer desenvolver essa habilidade de forma aprofundada, o Liderança pelo Diálogo é onde a gente trabalha exatamente isso: como dar e receber feedback com clareza, empatia e assertividade, focando nas situações reais do dia a dia. E quando a próxima conversa difícil chegar antes de você se sentir pronto, o Guia Prático para Conversas Difíceis no Trabalho é um bom apoio.

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