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6 passos para desenvolver comunicação assertiva sem virar "a difícil" da equipe

  • há 6 dias
  • 5 min de leitura
Ilustração de duas pessoas conversando de forma respeitosa, com símbolos de escuta, empatia, análise e colaboração representando a comunicação assertiva.

Muita gente confunde assertividade com agressividade, acha que ser assertivo é falar duro, não ceder, impor o próprio ponto de vista. Mas assertividade é outra coisa: é a capacidade de se expressar com clareza e honestidade, defendendo o que é importante pra você sem violar o espaço do outro.


No ambiente de trabalho, a falta de assertividade custa caro. A evitação de conversas difíceis, o feedback que nunca é dado, o "sim" que na verdade é "não": tudo isso gera desconfiança, fofoca e uma série de problemas que poderiam ter sido resolvidos com uma conversa direta. E o mais importante: assertividade não é um traço de personalidade, é uma habilidade.


Este guia apresenta 6 passos para desenvolver comunicação assertiva sem virar "a difícil" da equipe, com base nos princípios da Comunicação Não Violenta.


Antes de começar: o que assertividade não é


Assertividade não é sobre falar com voz firme ou não demonstrar emoção. Não é sobre ter sempre uma resposta pronta, nem sobre "vencer" uma discussão.


É sobre coragem, o compromisso de dizer o que precisa ser dito, de forma que o outro consiga ouvir. E coragem, aqui, tem uma definição prática: abraçar a vulnerabilidade em vez de fugir dela. Colocar para fora o que está vivo para você, mesmo sem garantia de como vai ser recebido.


6 passos para desenvolver comunicação assertiva sem virar "a difícil" da equipe


Passo 1: Adote uma postura de aprendizado, não de entrega de

mensagem


A maioria das conversas difíceis fracassa antes mesmo de começar porque uma das partes, ou as duas, chega com o objetivo de provar que está certa.

Quando o objetivo é provar um ponto, a sua escuta e a escuta da outra pessoa ficam fragilizadas e a probabilidade maior é de que as duas partes entrem no "modo defesa".


A postura de aprendizado é diferente: você entra na conversa genuinamente aberto a descobrir algo que não sabia. Isso não significa abrir mão do que é importante pra você, significa reconhecer que a outra pessoa também tem uma perspectiva válida e que entendê-la tende a gerar um resultado muito melhor do que simplesmente empurrar o seu ponto.


Na prática, isso pode começar com uma pergunta interna antes da conversa: "Será que há informações que essa pessoa tem e eu não tenho?"

Se a resposta honesta for "provavelmente sim", você já está num lugar melhor para começar.


Passo 2: Observe sem julgar


Um dos componentes principais da Comunicação Não Violenta é a observação, que é onde boa parte das conversas difíceis descarrila antes de sair do lugar.


A gente raramente descreve o que aconteceu. A gente descreve o que achou que aconteceu e essa diferença, que parece pequena, faz muita diferença na hora de conversar.muda tudo.


"Você foi grosseiro na reunião" é uma avaliação. "Você interrompeu minha fala três vezes durante a reunião" é uma observação. A primeira tende a gerar defesa imediata. A segunda abre espaço para conversa.


Algumas coisas que ajudam a ficar no campo da observação:


Evitar rótulos e generalizações como "sempre" e "nunca". Focar no comportamento concreto, não no caráter. Descrever o que você viu, ouviu ou percebeu, não o que concluiu a partir disso.


Passo 3: Assuma a responsabilidade pelos seus sentimentos e necessidades


Assertividade implica expressar o que você sente, mas de um jeito que não coloque no outro a responsabilidade pelo que você está sentindo.


"Você me deixou frustrado" é uma acusação disfarçada de sentimento. "Eu fiquei frustrado quando isso aconteceu porque preciso de previsibilidade" é uma expressão de sentimento conectada a uma necessidade e faz uma diferença enorme na forma como é recebida.


Na CNV, o que os outros dizem ou fazem pode ser o estímulo dos nossos sentimentos, mas não é a causa. A causa são as nossas próprias necessidades e valores. Quando expressamos isso com clareza, a conversa muda de tom: em vez de uma acusação que o outro precisa rebater, você está compartilhando algo sobre o seu mundo interno.


Para quem tem dificuldade de identificar o que está sentindo em tempo real, o exercício de auto-empatia da CNV pode ajudar bastante como prática antes das conversas difíceis.


Passo 4: Faça pedidos, não exigências


O quarto componente da CNV é o pedido e é onde a assertividade se materializa de forma mais concreta.


Um pedido tem três características: é específico, é possível de ser feito agora, e deixa o outro livre para dizer não. Quando não deixamos essa liberdade, o que estamos fazendo é uma exigência, mesmo que a voz seja calma e o tom seja gentil.


Na prática, um pedido assertivo precisa estar em linguagem de ação positiva, diz o que você quer que aconteça, não o que quer que pare. "Você consegue me enviar o relatório até quinta às 17h?" é um pedido com altas chance da outra pessoa entender e, possivelmente, atender. "Você precisa ser mais organizado" não tanto...


Para aprofundar como estruturar pedidos claros no contexto de feedback, o Feedbacks Eficazes traz um guia passo a passo.


Passo 5: Estabeleça limites e não escolha o silêncio


Assertividade está diretamente ligada à capacidade de estabelecer limites. E limite não é punição, é clareza sobre o que é aceitável e o que não é aceitável para você..


O silêncio diante de um comportamento inadequado é apenas evitação. E evitação, no longo prazo, gera ressentimento, um dos sinais mais comuns de que limites não estão sendo comunicados.


No contexto do trabalho, isso aparece de formas variadas: interrupções constantes em reuniões, tom elevado em conversas difíceis, expectativas que nunca são ditas mas sempre cobradas. Nomear esses comportamentos com cuidado e sem julgamento, como: "Percebo que a conversa está ficando intensa, e preferia que a gente conversasse sem interrupções" tende a ser muito mais eficaz do que ignorar ou reagir no impulso.


E quando a conversa chegar num ponto em que ninguém está ouvindo de verdade, pedir um intervalo é inteligência emocional. Dez minutos para respirar costumam salvar uma conversa que estava prestes a virar conflito. O ebook Conversas Reativas aprofunda como lidar com esses momentos de alta tensão.


Passo 6: Escute para aprender, não para responder


Assertividade não termina quando você termina de falar. A outra metade da conversa, que é escutar de verdade, é tão importante quanto o que você disse.


O obstáculo mais comum para o sucesso nas conversas é exatamente esse: a outra pessoa não se sente ouvida. E uma pessoa que não se sente ouvida não consegue receber nada, nem um argumento bom, nem um pedido razoável, nem um feedback construtivo.


Escutar com atenção e empatia significa resistir ao impulso de formular a resposta enquanto o outro ainda fala. Significa usar perguntas abertas, "Pode me contar mais sobre isso?", em vez de afirmações disfarçadas de perguntas. E significa usar a paráfrase para confirmar o entendimento: repetir com suas próprias palavras o que você ouviu, incluindo o que a pessoa parece estar sentindo, não só o que disse.


Quando a conversa tomar um rumo destrutivo, com acusações, culpabilização, generalizações, você pode reformular: traduzir a crítica do outro em termos de sentimentos e necessidades, encaminhando a interação de volta para o diálogo. Para aprofundar essa habilidade, o artigo sobre como lidar com conversas difíceis traz exemplos práticos de como fazer isso em tempo real.


Assertividade é uma prática, não um destino


Desenvolver a comunicação assertiva no trabalho não é um processo linear e não existe um ponto de chegada onde você "domina" a habilidade de vez. É uma prática que se constrói conversa a conversa, especialmente nas mais difíceis.


O que tende a acontecer com o tempo é que os passos vão se incorporando ao jeito de pensar, e você passa a se expressar com mais clareza e honestidade sem precisar se lembrar de nenhuma fórmula.


Para quem quer desenvolver isso de forma estruturada, o Liderança pelo Diálogo é onde a gente trabalha exatamente isso: como falar com empatia e firmeza nas situações reais do dia a dia, nos feedbacks, nas reuniões, nos conflitos e nas conversas que a gente tende a adiar. E quando a próxima conversa difícil chegar, o Guia Prático para Conversas Difíceis no Trabalho é um bom apoio para o momento em que a teoria precisa virar ação.

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